QUE ESTRANHO MUNDO ESTE...
QUE ESTRANHO MUNDO ESTE!...
Que estranho mundo este! As emoções invadem-me o corpo, provocando
um turbilhão de pensamentos contraditórios, como o espectáculo, que vejo desta
minha varanda-para-o-mundo. Mar e céu confundem-se na cor cinzenta, e a linha
do horizonte perde-se nas nuvens que fazem barreira, escondendo outros mundos.
Mais acima o Sol espreita, curioso e provocador, deixando saudades ao dia que
acaba. Está vento e está frio. Há nuvens que lembram pinceladas, dadas por um
pintor em estado de exaltação. Outras mais escuras, esfarrapadas, mostram-se
ameaçadoras, apressadas.
Gosto de ver o dia a acabar, nestes momentos de pausa e
introspecção, a rever o dia que foi, e lembrando-me dos dias que têm sido. Como
é estranha a vida!... Tão espantosamente natural, que nem parece que a estou a
viver… Os acontecimentos extraordinários sucedem-se, envolvidos pelas sensações
mais fantásticas e controversas. Os guias falam-nos, através de mensagens que
se captam e escrevem, esclarecidas e esclarecedoras. Os espíritos contactam-nos,
dialogando. Recebemos informações, que nos deleitam, inebriam e confundem!
Abrem-nos as portas de outros mundos, e descobrimos que, nas diferenças, há
semelhanças. Adivinhamos trabalhos no campo da cura e do ensino. Neste frenesim
andamos, dia após dia, levados pela incerteza da inevitabilidade deste caminho,
mesmo quando somos abalados por palavras e acções, que nos transcendem e
surpreendem.
O sol despede-se, beijando o céu que lhe resta, fazendo-o corar.
As nuvens cinzentas correm, correm, mais espessas, mais ameaçadoras. O mar
deixa-se embalar pelo vento, e as ondas estalam na praia, que adivinho lá ao
fundo. Os cães ladram, antecipando a refeição suculenta. O farol pisca, e os
sinais insistentes, repetitivos, reflectem-se no vidro da minha
varanda-para-o-mundo. Não me canso destes fins de tarde aqui. Sempre
diferentes, sempre iguais, na sua beleza e transcendência. Sinto estes momentos
tão intensamente, que os gozo até ao último minuto, ao último raio de luz.
Este dia deixou a sua marca indelével. Aprendi um pouco mais,
esqueci um pouco mais. O jogo da memória tem os seus truques e leva-nos por
montes e vales, ora andando, ora correndo. Descansar? Nunca!... Não há tempo a
perder, mesmo que o tempo seja uma ilusão.
A luz já é escassa. Deixo que o meu pensamento se evada e se propague
sem ecos. As respostas tenho-as em mim, pois só eu sei o que sinto para além
dos outros e para além de mim… Que sinto? Uma sensação, sem sensação, uma calma
que me permite ver mesmo com esta luz, cada vez mais ténue. O meu corpo reclama
do frio. Tenho de lhe dar ouvidos porque aqui não tenho como me aquecer. Adeus
dia, adeus varanda-para-o-mundo. Amanhã cá estarei de novo, atenta e obrigada.
OM SHANTI OM
NOTA: Memórias que nos levam a pensar, como o processo de desenvolvimento implica vivências extremas, e a importância de estarmos prontos e disponíveis para avançar pelos caminhos, em que a partilha é indispensável, assim como os momentos de pausa e introspecção.

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