ALENTEJO

                                                       


                              ALENTEJO

Com o reconhecimento mundial do cante alentejano, esta terra passou a estar na moda, valorizando as suas gentes, um espaço que era tomado pelo celeiro de Portugal. Não sou alentejana de origem, mas filha e neta de alentejanos de gema, com terras de sobreiros, e uma lavoura própria. Tivemos ocasião de estar em contacto com os que dependiam daquelas culturas e, nesse tempo, tínhamos de ir de tractor até ao monte, pois, estrada seu nome, era coisa que não havia! 

Aquele Alentejo faz parte das minhas memórias, pois, mais tarde, tivemos de passar as terras para quem tinha capacidade de as orientar, antes do 25 de Abril. No entanto, guardo para mim os belos dias em que por lá passámos, convivendo com as suas gentes, que faziam parte da família há gerações. Lembro-me de ajudar a fazer pão, aquele precioso que é típico da zona, tanto como os queijos de cabra, que ajudei a fazer, depois conservados em sal, bem como as excelentes azeitonas, guardadas em grandes potes. Era uma delícia pegar numa fatia de pão, e tirar uma mão cheia de azeitonas para saciar uma fome ocasional.

A propósito do cante, tenho uma bela lembrança num dia em que fomos a uma feira, a Viana do Alentejo, tendo viajado numa carroça onde dormimos, tipo campismo. Toda a noite se ouvia cantar, com aquele som característico, que tanto nos tocava a alma. São memórias inesquecíveis, que guardo para sempre, visto fazerem parte da minha adolescência, e me terem posto em contacto com uma realidade que me tinha escapado. Nasci em Angola, e viemos para Lisboa para podermos seguir com os nossos estudos. Aquelas terras faziam parte duma herança, mas naqueles tempos não tínhamos condições para as gerir, por isso as passámos a quem as podia ter. 

O meu pai, nascido em Évora, veio para Lisboa, a fim de continuar os seus estudos, tendo-se formado em medicina. Mais tarde, foi para Angola, onde veio a casar com a minha mãe, daí eu ter lá nascido… Pela mesma razão, nós termos de vir viver para Lisboa também.

As memórias, são muito importantes, pois fazem parte integrante do ser em que nos fomos tornando, e é bom quando elas são felizes e valorosas, como estas que aqui relato. Assim, o Alentejo continua a estar no meu coração e a saborear as suas pegadas.  Ainda bem que passou a ser mais considerado aquele espaço, tão majestoso na sua planura, com as suas gentes e a mostrar ao mundo um som dos deuses!!!

                  OM SHANTI OM 🕉️ 

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