RECORDAR
RECORDAR
De repente, veio-me à memória a minha querida mãe, talvez porque estou a viver umas circunstâncias, de certo modo, semelhantes, às que ela teve de viver. Durante muitos anos, ela teve de assumir o papel de chefe da casa, porque o meu pai voltou para África até se reformar, e continuou com essa função, para a qual tinha mesmo jeito! Reformado, o meu pai entretinha-se a passear e a jogar bridge com um grupo de amigos, não se metendo muito nas lidas da casa, bem como na nossa educação, embora manifestasse a sua autoridade, naturalmente aceite, e fosse bom companheiro, muito inteligente e simpático.
Nesta fase da nossa vida, tive, igualmente, de tomar conta do barco, passando a ser a “madonna”, uma necessidade que me tem dado algumas dores de cabeça, pois não estávamos habituados a fosse esse o meu papel... No entanto, a ascendência veio mostrar que há oportunidades, tanto quanto a necessidade para exercer essa condição. A minha avó materna, era professora primária e, por isso, habituada a mandar e a orientar. A minha mãe recebeu dela essa maneira de actuar, e eu vou seguindo nessa linha, que tive, também, de usar quando geria o Centro de Yoga. Ela foi pai e mãe, para além de amiga, visto que foi mãe muito nova, perdeu a mãe cedo demais, de espírito livre, muito inteligente e sábia. Não pudemos fugir à linhagem, não há dúvida…
Ao mesmo tempo, esta recordação deu-me uma certa paz de espírito, com a certeza de que tenho as condições para o exercer este papel, contando com a ajuda dos filhos, netos e aqueles amigos que circulam neste grupo de almas tão especial.
Tenho de agradecer aos meus deuses tantas bênçãos e a segurança que esse apoio e esses privilégios me oferecem, esperando poder continuar a poder cumprir…

Comentários
Enviar um comentário